Faz tanto tempo que penso em como me reconstruir. Mas me reconstruir do quê, eu não sei, ainda não entendi. Eu tava destruída? Eu tenho partes pra fazer e refazer? De onde tiraram essa ideia de me dividir em partes minúsculas, invisíveis, que me torne passível a desconstrução e construção?
Cansei de ouvir que o ser humano deve se desconstruir, para que aí, do zero, possamos nos refazer, nos construir de forma mais adequada. Pro inferno com suas teorias, tire-as de mim!
Não aguento mais ver a glorificação da forma social e programada para que todos entendamos como o caminho enquadrado.
Sinto falta da época que o caminho enquadrado a nós me fazia sentir o mínimo de ética. Pelo menos, eu achava que valia a pena sofrer a ação de "construções" se no final de tudo iria ver um sorriso no terminar do dia.
Valores, morais, ideais...Hoje, "cresci", e no final do dia vejo olhares desatentos, parecem hipnotizados com a "desconstrução" de toda aquela tradição e história que nos baseava, nos primórdios. "Evoluímos" muito dos primórdios pra cá. Como fazem questão de dizer. Mas parece que a evolução foi só tecnológica, pois a humana se apresenta cada vez mais falha e retornando ao seu estado bruto (no sentindo amargo da palavra). Vejo pessoas marcadas como gado, enquanto riem das tatuagens obrigatórias aos bovinos. Essas mesmas pessoas são parte de um jogo sádico de outras pessoas que são marcadas com cifrões, enquanto riem de vossas marcas engravatadas. E em outra parte alguém ri dos cifrões e proclama sua marca avermelhada a qual chamam de amor. Enquanto são marcadas pelo ego e a ilusão. E no final disso tudo resta uma pessoa marcada por algo indefinido, que ao longe, não ri de ninguém, mas deixa seus olhares atônitos e curiosos desmancharem-se em confusão de por quê's.
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